sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Uma revolução chamada ficha limpa.


A sociedade brasileira vivenciou, nessa semana, aquilo que eu considero como a maior vitória no caminho da moralização da vida pública desde a redemocratização. O julgamento pelo STF na noite dessa quinta-feira que considerou constitucional a lei da ficha limpa tem tudo para mudar completamente o panorama do poder: a partir de agora, depois de cinco séculos de atraso, teremos um filtro legal que impedirá que pessoas com histórico de maleficências contra o Estado possam se candidatar a cargos eletivos dos poderes executivo e legislativos. Todos nós sabemos que o Brasil mudou completamente nas ultimas décadas; hoje somos uma das sociedades mais abertas do mundo, uma economia em extrema pulgência rumo a se tornar um dos mais relevantes protagonistas no cenário mundial, temos instituições modernas, porém, a vida pública ficou estagnada de tal forma que hoje não condiz com o país que representa. A lei da ficha limpa tem tudo para reverter esse quadro uma vez que, a partir de agora, os “maus feitores” não poderão mais concorrer aos cargos de Estado, a propósito, essa é regra e há muito tempo para as pessoas que querem ingressar no serviço público. Por que as pessoas comuns são barradas nos processos seletivos de concursos por não ter uma ficha limpa e os políticos, que tem sobre si uma responsabilidade muito maior sobre o bem público não seriam barrados? Finalmente a ficha limpa veio para corrigir esse completo descabimento.
Os contrários a lei ainda argumentavam que esta feria o principio da presunção da inocência. Ora, a presunção de inocência é um principio constitucional de âmbito penal, devendo sim (e assim se posicionou ampla maioria do supremo) o político ficha suja ter sua candidatura impugnada pela justiça mesmo sem trânsito em julgado na esfera penal, aliás, a lei da ficha limpa ainda é mais benéfica com os políticos que a própria prática é para o cidadão comum, uma vez que se uma pessoa participa de um concurso público, se ela tiver uma condenação penal ainda em primeira instância ainda assim é barrada (trabalhei na defensoria pública e sei que na prática, até mero processo judicial sem a condenação, muitas vezes, já é motivo de impedimento de ingresso em diversos cargos públicos); já para ingresso eletivo se exigiu a condenação em órgão colegiado. De qualquer forma é um tremendo avanço uma vez que a morosidade da justiça, muitíssimas vezes, arrasta um processo judicial por anos (tempo o suficiente para o “cara” ser eleito, debelar o dinheiro público, acabar sua legislatura e o processo ainda não ter transitado em julgado).
A partir desse ano, com a aplicação da ficha limpa, vejo que a política brasileira deu um passo enorme no sentido de diminuir a corrupção. Coloco a ficha limpa entre os três maiores avanços do país desde a redemocratização em 1985 junto com o plano real em 1994 e a lei de responsabilidade fiscal em 2000. O plano real pôs fim a inflação e possibilitou colocar o Brasil de volta aos trilhos, a LRF criou uma barreira legal para que o patrimônio público não sofresse com a irresponsabilidade de agentes públicos e, agora, é o ficha limpa que tem tudo para colocar em um novo nível de qualidade a política brasileira. É óbvio, existe um enorme caminho pela frente, porém, a sociedade brasileira deu um passo fundamental na busca de um sistema representativo mais respeitoso para com seus cidadãos.
A importância da ficha limpa vai além do que ele representa para a vida política, pela primeira vez, desde o impeachment de Collor em 1992 que a sociedade se mobiliza e é bem sucedida e, talvez ,revele o que pode ser considerado, daqui para frente, o caminho na luta contra as mazelas sociais: a mobilização das entidades civis organizadas. Essas instituições (OAB, CNBB, dentre outras...) foram as grandes responsáveis na mobilização pública que levaram ao projeto de iniciativa popular que propiciou essa magnífica lei da ficha limpa. Talvez nós não tenhamos um estilo de irmos às ruas protestar contra o governo (as marchas contra a corrupção ocorridas ano passado mostraram essa realidade cultural), porém, mediante entidades civis que no Brasil são extremamente sólidas, podemos pressionar e atingir o mesmo objetivo de que se teria se 2 milhões de pessoas lotassem a Cinelândia ou a praça da sé. A sociedade brasileira esta de parabéns e viva o ficha limpa.

DIOGO CAMPOS LEMOS
17/02/2012

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Por que Adele?


Na noite deste domingo aconteceu a consagração daquela que esta se firmando como a maior de todas as “divas” do cenário musical nesse inicio de década, nada mais nada menos que ganhadora de seis Grammy em uma única edição da premiação mais importante da música mundial: só poderia estar falando de Adele. A jovem cantora inglesa explodiu no cenário do “show business” no ano passado e já coleciona uma larga lista de recordes na indústria fonográfica.
É fácil entender o sucesso de Adele, a principio, surgiu em um período que é considerado, para a grande maioria dos críticos musicais, como “a era das divas representada pelo boom de grandes estrelas femininas como Beyoncé, Lady Caga, Rihana e etc.., ou seja, Adele surgiu em um período extremamente fértil para as “divas”. Porém, esse termo “diva”, a princípio utilizado para se referir aquelas grandes estrelas do “show business” dos anos 1960 e 1970 nada tem a ver com as divas do século XXI, muito pelo contrário, são extremamente diferentes. As divas do novo milênio são sensuais, exploram o máximo que podem da sensualidade, expressam o que há de mais liberal daquilo que se chama feminismo (liberdade sexual, culto à beleza, à forma, à sexualidade, etc...), a música passa a ser mero acessório de um padrão de consumo. Nesse sentido, as divas do terceiro milênio em nada se parecem com as tradicionais divas de outrora (anos 1960 e 1970), como Aretha Franklin, ainda representantes de uma sociedade ainda muito conservadora (século XX).
Porém, Adele é um contraponto às divas da atualidade (não usa da apelação sensual, está muito longe daquilo que se chama padrão de beleza, etc...) e talvez esse seja o grande “x” do sucesso de Adele: as pessoas estão ficando “fartas” daquilo que se chamaria de “mais do mesmo”, a saber, mulheres esculturantes colocadas em um pedestal como padrão para todas, se você não atingir esse tal padrão nunca chegará à felicidade (mais da metade das mulheres da humanidade sonham em ter um corpo de beyoncé, madona ou qualquer outra dessas “divas”). Antes de Adele, Amy Winehouse caminhava para se tornar a ícone de uma nova tendência, porém, como todos já sabem, a também cantora inglesa morta ano passado se mostrou totalmente frágil e sem maturidade e teve um destino trágico; agora, Adele surge como a porta voz de uma contra cultura representada pelas divas do novo milênio, afinal, um dia as pessoas ficaram “fartas” de tanto ver bundas, pernas e seios na televisão e, nesse momento, a fórmula atual se esgotará e só quem tem realmente talento continuará.
Viva Adele!

DIOGO CAMPOS LEMOS
13/2/2012

sábado, 11 de fevereiro de 2012

E o racismo no futebol...


Se existe uma coisa que me deixa totalmente indignado nesse mundo, essa “coisa” chama-se preconceito, em particular o racismo. Não foi a toa que a atitude totalmente reprovável (para usar o mais suave dos eufemismos) do atacante uruguaio Luís Suares durante partida do campeonato inglês me deixou totalmente perplexo; em suma, esse jogador (infelizmente não posso usar aqui os termos que gostaria para me referir a esse “atleta”), em partida do campeonato inglês realizado no ano passado, propositalmente, no decorrer do jogo, aplicou uma seqüência de faltas no lateral francês Patrice Evra, do Manchester united. O francês, então, ao reclamar do excesso de “marcação” ouviu como resposta do uruguaio o seguinte: “eu não falo com negros”, e isso foi repetido sete vezes pelo uruguaio na partida (Tudo comprovado em relatório de 115 páginas produzida pela federação inglesa de futebol que, em dezembro, aplicou ao uruguaio suspensão de 8 jogos).
Hoje, quase quatro meses após o ocorrido, os dois voltaram a se encontrar em partida do campeonato inglês e o uruguaio recusou-se a cumprimentar Evra, surpreendendo todos que esperavam uma atitude que “desse um ponto final ao episódio”. A atitude do atleta uruguaio é de causar indignação em qualquer cidadão “normal”, porém, parece que não indigna a FIFA que deveria ter um regulamento mais severo para evitar esse tipo de “manifestação” em campo, algo totalmente inadmissível.
Não é a primeira vez que episódios racistas mancham a imagem do futebol. Quem não se lembra dos insultos racistas sofridos por Roberto Carlos na Rússia há pouco tempo, e os inúmeros insultos de torcedores contra jogadores negros nos estádios de futebol da Europa; Pois bem, até que a FIFA patrocinou uma campanha em todo o mundo contra o racismo no futebol, porém, atitudes preventivas não são suficientes e o aspecto repressivo quanto ao combate ao racismo ainda continua muito branda para os racistas do futebol (no máximo o jogador pega algumas suspensões e volta como se nada tivesse acontecido).
Vale lembrar aqui o exemplo Inglês que, nos anos 1980 e 1990, sofria com a violência dos grupos hooligans infiltrados nas torcidas organizadas e que, nos jogos, pregavam ódio às minorias (em particular negros) e, no lado de fora dos estádios, protagonizavam episódios de extrema brutalidade contra esses mesmos negros e minorias, ou seja, os grupos neonazistas que ressurgiram no final dos anos 1980 utilizavam o futebol como meio para expressar o ódio racial (Quem não se lembra daquele massacre na Bélgica em 1985?); milhões de libras em campanhas de conscientização foram gastos, porém, com pouquíssimos resultados. Como pouca coisa mudou, a legislação endureceu: os torcedores comprovadamente ligados aos grupos skinheads foram presos, as torcidas organizadas passaram a ser responsabilizadas, foi criado um grupo de inteligência dentro da famosa Scotland Yard para investigar os “carecas” infiltrados nas torcidas, em suma, a legislação e a policia passaram a atitudes mais severas. O resultado é que a violência dos grupos hooligans nos estádios ingleses é coisa do passado. Vale ressaltar, a paz só se deu na terra da rainha quando a lei endureceu.
Alguma coisa tem que mudar, o que não pode acontecer é os país levarem seus filhos para assistir um jogo de futebol e ver um jogador profanando o ódio, seja este qual for, ainda mais o racial. O racismo e todas as formas de preconceitos devem ser tratados como o pior que há dentro do ser humano (e de fato é), devendo sofrer severíssima punição da sociedade, do estado e das instituições. Se nós continuarmos a tolerar esse tipo de coisa (no futebol, por exemplo), um destino bom não terá; a história está aí para mostrar onde se pode chegar quando a sociedade passa a tolerar esse tipo de “manifestação”.

DIOGO CAMPOS LEMOS
11/02/2012

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Afinal, para que serve a ONU?


Nessa semana eu fiquei perplexo com a decisão do conselho de segurança da ONU, ou melhor, com o surreal veto da Rússia e da China que se oporão à resolução proposta pela liga árabe e pelas potências ocidentais que previam uma atuação na Síria nos moldes do que ocorreu com a Líbia no ano passado. Certamente, o massacre popular que tomou conta da Síria ganhou uma dimensão sem precedentes nessa “primavera árabe” de tal forma que vem se configurando em verdadeiro crime contra a humanidade, ou seja, o massacre do governo Sírio contra a população perpassou e muito da esfera do “razoável”, do tolerável, do humano.
A atitude diplomática Russa e Chinesa em impedir a atuação da comunidade internacional para cessar esse verdadeiro crime contra a humanidade na Síria foi o pior absurdo do CS da ONU desde a guerra do Iraque em 2003. Naquela época, o CS não deu aval a uma atuação Anglo-americana ao Iraque mas Bush “atropelou” a ONU e o confronto provocou, na época, uma das maiores crises de credibilidade do conselho de segurança. Dessa vez, os atores mudaram, porém, novamente o Conselho de Segurança mostra o quanto é ineficiente e que não consegue atuar para fazer cumprir seu fim: manter a paz e impedir desrespeitos aos direitos humanos no mundo. O episódio do Iraque em 2003 mostrou o quanto a ONU não tem poder para conter as grandes potências e que a lei internacional só se cumpre para as “nações desafortunadas” do terceiro mundo, já o episódio Sírio revelou o quanto a ONU é ineficaz, já que um único veto pode comprometer todo um esforço internacional no cerceamento de arbitrariedades de grandes abusos de governos contra cidadãos do mundo, afinal, o povo Sírio massacrado por Assad é, antes de Sírios, humanos, cidadãos do mundo e o mundo, nessas horas, dão as costas para esse verdadeiro massacre.
São nesses momentos que entra em Xeque o papel da ONU, o quanto esta instituição esta à “reboque” do mundo atual. Quando se fala em reforma da ONU, só se fala em ampliação do CS, porém, o episódio Sírio comprovou que mais membros permanentes do CS não moderniza em nada o papel da ONU, pelo contrário, uma reforma da ONU deveria ser no sentido de enfraquecer o conselho de segurança ( afinal, já está provado que não representa a “opinião” da comunidade internacional) e fortalecer a Assembleia geral , criar “quóruns” para que, por exemplo, uma resolução como a de uma intervenção em uma zona de catástrofe humanitária ( como na Síria) não ficasse barrada por causa de dois ou mesmo um país ( o que é inadmissível).
A ONU está, infelizmente, no mesmo destino da liga das nações.


DIOGO CAMPOS LEMOS
09/02/2012

sábado, 21 de janeiro de 2012

Um enorme desperdício.


Essa semana foi marcada pelos temas: “suposto estupro no Big Brother” e “Luíza, que está no Canadá”. Pois bem, antes que vocês imaginem que eu vá escrever sobre tais temas, quero esclarecer que eu ainda não cheguei nesse ponto, afinal, eu acho mais digno escrever sobre “Gaiolas das popozudas” ou “ O novo álbum de Fiuk” do que sobre BBB. Brincadeiras de lado, embora eu não acompanhe essas coisas totalmente inúteis ( para qualquer ser humano), tais “temas do momento”, pelo menos para mim, passariam despercebido por um detalhe que me chamou bastante atenção: essas “duas grandes noticias” da semana aqui no Brasil se iniciaram pelas redes sociais ( em especial o Twitter e Facebook). Eu sei que se trata de enorme imbecilidade, mas dessa vez, a imbecilidade não surgiu da mídia tradicional ( por programas como Pânico ou as muitas novelas por aí, por exemplo) mas das pessoas comuns através das redes sociais.
Pensando um pouco sobre as redes sociais, de fato, essa semana foi apenas mais uma demonstração de força dessa nova mídia do século XXI, ano passado tivemos a explosão da primavera árabe e do “ocupe Wall Street” que tiveram grande impulso graças às redes sociais.
De fato o mundo mudou com as redes sociais em um curto intervalo de tempo graças às inovações tecnológicas ocorridas nessa primeira década do século XXI; por exemplo, o Youtube, surgido em 2004, e a expansão da banda larga, abriu a internet ao horizonte dos vídeos. Hoje, qualquer pessoa com acesso à internet pode ter acesso a qualquer vídeo que quiser com apenas um clique ( não precisamos mais esperar aquele filme passar na TV ou irmos às locadoras que praticamente deixaram de existir). As músicas compartilhadas pela internet facilitou como nunca o acesso à música a qualquer momento e em qualquer lugar ( basta ter um Ipad ou qualquer outro smarthphone com acesso à internet) e em 2011 os downloads superaram as vendas em lojas pela primeira vez na história nos Estados Unidos. Blackberry, Ipad, Tablets e muitos outros “brinquedinhos” tecnológicos que surgiram no mundo nos últimos 10 anos transformaram a forma de acesso das pessoas a informação de tal maneira que, com as redes sociais ( que começou, aqui no Brasil, pelo Orkut lá em 2004 e virou mania mundial com o facebook e twitter), as pessoas comuns que, até a pouco tempo eram meras espectadoras do que era produzido pela mídia tradicional,agora passam a ser protagonistas não só para a grande mídia como, o que deveria ser o mais importante , para os rumos sociedade. Ainda mais, hoje podemos manter contato permanente com aquelas pessoas que passaram por nossas vidas e que,por razões das mais diversas, nunca mais teremos a oportunidade de vê-las pessoalmente, algo inviável há 10 anos atrás. As fotos saíram dos álbuns de fotografias e se multiplicaram na frente do computador, leia-se facebook ou, para os mais antigos, Orkut (vocês sabiam que 10% de todas as fotos tiradas em toda a história da humanidade foram tiradas nos últimos 12 meses? Graças às redes sociais), em suma, é incontroverso o fato de que as novas mídias mudaram o estilo de vida das pessoas.
Mas não só isso, elas tiraram as pessoas comuns da passividade e colocaram a possibilidade de serem protagonistas. O evento “Luíza do Canadá” ou do “BBB” são exemplos do poder das redes sociais para algo totalmente inútil, porém, essas mesmas redes sociais podem ser usadas contra governos, contra injustiças, ou seja, para mobilizar pessoas para um fim útil (como fizeram na primavera árabe ou, aqui mesmo no Brasil, com as passeatas contra a corrupção ocorridas ano passado), hoje não precisamos de UNE ou de qualquer outro tipo de organização para mobilizar as pessoas. As novas mídias estão aí, tornando possível que as pessoas se auto-mobilizem e isso é algo extremamente positivo. Pena que até agora as pessoas não aproveitam esse potencial das redes sociais. É uma pena, ou melhor, um enorme desperdício.


Leiam também:

http://1000memories.com/blog/94-number-of-photos-ever-taken-digital-and-analog-in-shoebox

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/1031199-download-de-musicas-supera-a-venda-de-cds-pela-primeira-vez-nos-eua.shtml


DIOGO CAMPOS LEMOS
21/01/2011

domingo, 1 de janeiro de 2012

2012: Um ano imprevisível.


Entramos no ano novo e, como é de costume aqui no Ocidente, em especial na mídia, uma enxurrada de previsões para o ano que se inicia se prolifera por tudo quanto é canto. A maior de todas é a que o ano acabará em dezembro, segundo presume-se da previsão do calendário maia; não quero aqui fazer previsões, afinal, se essa fosse minha especialidade, certamente estaria agora comemorando os milhões ganhos na mega da virada. Porem, a verdade é que não se precisa ter poderes sobrenaturais ou místicos para entender as tendências pela frente, a não ser que surja um fato totalmente imprevisível e que mude totalmente o panorama “lógico” das coisas ( como uma primavera árabe, o governo americano permitindo a quebra de um “Lheman Brothers”, uma hipotética explosão da bolha chinesa, como prevê Paul Krugman em um de seus últimos artigos de 2011 no “The New York Times”), as tendências sempre servem de bom norteador para sabermos para onde vamos, desde que, obviamente, um estrondoso fato mude as regras do jogo.
Saindo do mundo abstrato, o fatídico é que, no campo da economia ( tema desse post), há três grandes definidores da economia internacional, ou seja, o ritmo do mundo é definido por três grandes motores e, há medida do que eles trabalham, o ritmo do mundo é definido. Esses três motores são, em ordem decrescente: China, Estados Unidos e Europa. São esses os atores protagonistas da peça chamada “economia global”. No ritmo que eles caminham, caminha o mundo. O fato é que, olhando para o cenário fático de fins de 2011, a “tendência” é que no ano novo tenhamos, primeiramente, a China continuando no ritmo acima de 10% de crescimento, continuando “puxando” as economias de comodites, como o Austrália, Brasil e todo o restante da América do sul; os Estados Unidos ensaiando uma lenta recuperação, bastante gradual, uma vez que as disputas políticas internas impediram um plano de recuperação para impulsionar a maior economia do mundo e, por último, a Europa ainda em crise, com suas maiores economias crescendo no máximo 1,5%, 2% em 2012, em suma, a tendência é essa: Europa estagnada, EUA a passos de tartaruga e a China puxando o resto do mundo.
O grande dilema é que, essas tendências nunca foram tão suscetíveis de mudança quanto em 2012. Na china, por exemplo, até ontem as consultorias apostavam em uma leve desaceleração na China em 2012, já hoje (primeiro dia do ano), foram divulgados dados mostrando que a produção industrial Chinesa voltou a se expandir em Dezembro, depois de quedas consecutivas, pegando todos de surpresa, nos EUA temos eleições em novembro, até lá, é possível que o “tea party” possa querer aprontar mais uma com Obama, depois do que aconteceu em agosto quanto da crise do aumento do teto da dívida, acredito que tudo é possível, partindo do partido republicano. E a Europa, Ah !!! A Europa..., o principal dilema do novo ano. Há dois caminhos para o velho continente, se a crise da divida já tiver atingido o fundo do poço, é bem provável que a Europa atravessará 2012 estagnada mas a zona do euro se manterá e não teremos uma nova espiral negativa na economia internacional. Agora, se a dimensão da divida publica nos países da zona do euro for maior, ou melhor, se a crise da divida pública continuar a se expandir em 2012, há um sério risco de os grandes lideres da Europa, leia-se Merkel e Sargozí, não tenham como segurar o restante da zona do euro e ela desmoronar, criando uma nova espiral de recessão por toda a Europa e o mundo.
Em suma, 2012 começa com muito mais indefinições do que certezas. espero que no fim do ano eu leia esse meu primeiro post do ano e diga: “ Ah.., como eu fui pessimista....”

DIOGO CAMPOS LEMOS
01/01/2012

Leiam também:

http://www.nytimes.com/2011/12/19/opinion/krugman-will-china-break.html?_r=1&ref=paulkrugman

http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/12/16/desaceleracao-na-china-pode-aumentar

http://exame.abril.com.br/economia/mundo/noticias/atividade-industrial-chinesa-cresce-em-dezembro

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Por que promover uma causa perdida?


No século XVI, o filósofo italiano Nicola Maquiavel, fundador do pensamento político moderno, em sua lendária obra “O Príncipe”, dentro de sua consagrada tese política, dizia que o príncipe (leia-se político), para ser bem sucedido, deve ter virtú, ou seja, capacidade de contornar uma situação prejudicial ao seu favor. Um político profissional, tal como Sarney, Renan Calheiros e muitos outros sabem que, para sobreviver no mundo da política, deve-se ter enorme habilidade de contornar um quadro maligno e, se possível ( e com muita habilidade), reverter os quadros negativos como um instrumento a seu favor.
Pois bem, no último fim de semana, a jornalista Dora Kramer, em coluna no Jornal “O Estado de São Paulo”, escreveu algo muito interessante a despeito da manifestação organizada pelo governador Sergio Cabral contra a redistribuição das receitas dos royalties do petróleo, que segundo a Polícia Militar, teria reunido 150 mil pessoas no centro do Rio; nesse sentido, aconselho muito a leitura da coluna no Estadão (Link abaixo).
De fato, a causa em torno dos royalties, pelo menos para os Estados produtores, parece perdida. Afinal, são interesses de 25 estados contra 2 apenas, uma redistribuição das receitas dos royalties em favor dos estados não produtores será aprovada com muita facilidade no congresso nacional. Com relação a um possível veto da presidenta Dilma, parece-me também algo muito improvável, o presidente Lula se dispôs a vetar por que tinha uma enorme força política para tal, já Dilma, além de não ter a força de Lula, não estaria disposta a contrariar sua base aliada no congresso no inicio de seu governo. Por todas essas razões, a probabilidade de se reverter a causa dos royalties em favor dos estados do Rio e do Espírito Santo é bem remota ( a não ser no STF).
Se a causa dos royalties é perdida (e como lembrou Kramer, Cabral sabe muito bem disso...), qual seria a intenção do governador em promover um evento tão “espetacular”? Será que Cabral acreditava mesmo que a passeata do ultimo dia dez poderia reverter a desvantagem do Rio? Logicamente que não, ou seja, a atitude de Cabral foi oportunismo, ganhar notoriedade em cima da questão tal como fazem os populistas. Aí entra a história de Maquiavel que citei lá no começo,Cabral sabe que a única chance que tem de reverter o quadro dos royalties do petróleo é no Supremo, porém, até lá, tira proveito de uma situação muito prejudicial ao seu Estado.

DIOGO CAMPOS LEMOS
15/11/2011

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

UPPs podem se tornar marco da história do Rio


A ocupação da comunidade do Vidigal e, em especial, da Rocinha ( maior favela da América latina) na madrugada deste domingo no Rio, como já havia acontecido na ocupação das comunidades do complexo da penha no final do ano passado, marcam o fim de décadas de descaso do Estado nas comunidades pobres do Rio. A política de ocupação permanente das forças policiais do Estado em comunidades pobres do Rio pode transformar completamente o panorama da segurança pública, em especial, na cidade do Rio de Janeiro que, segundo dados das secretarias de segurança Pública é uma das capitais mais violentas do país. O papel das policias pacificadoras na cidade do Rio, obviamente, ressalvadas as devidas proporções, lembra-me muito ao papel que a “política de tolerância zero” teve para a cidade de Nova York no começo dos anos 1990. Só para contextualizar, a cidade de Nova York, principalmente no decorrer dos anos 1980, viveu um boom de violência sem precedentes na história da cidade, particularmente nos bairros da periferia da cidade como brooklym e Queens ( espécie de zona oeste da cidade). Na década de 1980, os índices de homicídio, assaltos, a atuação de gangues e o tráfico de drogas marcaram a fama de Nova York como a capital mais violenta dos Estados Unidos.
No inicio dos anos 1990, Rudolph Giuliani, eleito prefeito da cidade, implantou uma política de combate ao crime, no mínimo, bastante curioso e que chamou a atenção do mundo inteiro: a política de tolerância zero, que consistia em endurecer e punir de forma bem rígida os crimes de menor potencial ofensivo, como a prática dos pichadores... , a essência do pensamento da política de tolerância zero era tornar a polícia e a lei tão severos quanto aos crimes até então inofensivos que, acabaria por inibir a prática daqueles crimes mais violentos. A política de Giuliani que parecia, a principio, bastante arriscada, acabou por apresentar resultados surpreendentes, com quedas inimagináveis dos índices de crimes da cidade, em suma, a cidade de Nova York, que tinha a fama de capital mais violenta da América, após a tolerância zero se tornou uma das cidades mais seguras dos EUA, transformando Giuliani em um dos políticos mais respeitados dos Estados Unidos.
Reiterando, observadas as devidas proporções ( Seria loucura comparar o crime organizado de Nova York dos anos 1980 com a do Rio atual), o papel da política de pacificação das favelas tem um potencial de transformação para cidade do Rio similar, ou até mais intenso, que a política de tolerância zero teve para a cidade de Nova York, uma vez que, em três décadas de domínio do crime organizado nas comunidades do Rio, o tráfico de drogas propiciado por esses grupos organizados tornou-se na grande fonte de violência para toda cidade , ou seja, o crime organizado, a partir de suas impenetráveis fortalezas desenvolvidas nas grandes comunidades do Rio, propiciavam parte muito considerável da violência em toda a cidade. O crime organizado no Rio e a espantosa passividade do Estado, muitíssimas vezes explicada pela corrupção, transformou a cidade do Rio a capital mais violenta do Brasil, tendo regiões com índices de violência similares às regiões de Guerra.
O crime organizado, que ganhou materialidade sem precedentes no Rio a partir do surgimento de enormes grupos controladores do comércio de drogas nos anos 1980 ( em especial comando vermelho e terceiro comando que passaram a bi polarizar o comércio ilícito de drogas), ganhou uma dimensão tão poderosa, ou seja, o crime organizado cresceu a uma proporção tão grande que acabou tornando-se mais forte que as próprias forças do Estado. Sem contar a simbiose maligna da corrupção entre alguns agentes do Estado e criminosos e o próprio Estado que, a partir do governo de Brizola, adotou uma política de não intervenção nas fortalezas do crime nas favelas e que teve como resultado todo esse poder que o crime organizado foi desenvolvendo no Rio.
Tudo isso mudou, pelo menos no meu ponto de vista, a partir do momento que o Rio ganhou enorme visibilidade internacional quando das olimpíadas de 2016 e a copa do mundo dois anos antes, ou seja, a partir do momento que a segurança na cidade do Rio passou a ser interesse nacional (e ai fica provado que quando há vontade política as coisas funcionam no Brasil) as forças de segurança se uniram ( Policias federais, civil, militar, forças armadas...) e o crime organizado, que por anos parecia indestrutível e infalível, revelou toda sua fragilidade.

Há um ditado popular, diga se de passagem bastante sórdido, que bem explica meu otimismo quando aos resultados das UPPs na redução da violência não só na cidade do Rio mas em todo o Estado: “ lombriga fora da merda morre...”. Durante décadas e décadas, a base dos altíssimos índices de violência da região metropolitana do Rio era explicado por que, por trás da violência, estava o crime organizado. Atacando o crime organizado e enfraquecendo-o, diminui-se a violência. Porém, a ocupação das comunidades em si não minimiza a questão da segurança pública. O enfraquecimento do crime organizado não está apenas em tirar o meio pelo qual se desenvolvem, é necessário também atacar o fim desses grupos, ou seja, as drogas. E nesse sentido é indispensável grande organização de todas as nossas forças de segurança no sentido de reduzir, ao mínimo, a entrada de drogas em nossas fronteiras. É necessário uma tolerância zero ao tráfico de drogas, dar prioridade ao combate à entrada e ao tráfico de entorpecentes, sem contar o combate à corrupção dos agentes do estado, grande mal do Brasil da atualidade ( e aí é indispensável valorizar os agentes públicos de segurança pública, a tolerância zero foi bem sucedida em Nova York, em grande parte também, por que o Estado passou a valorizar a polícia, pagar bem seus agentes policiais. Nesse sentido, por que não aprovar o PEC 300 ?). Sem essas medidas, não teremos nunca índices de violência aceitáveis, como temos em países como o Chile, por exemplo.

DIOGO CAMPOS LEMOS
14/11/2011

Enquanto esteve no poder, Berlusconi desmoralizou a imagem da Itália.


Silvio Berlusconi deixa o poder como o líder mais extravagante de um país desenvolvido. Nos anos em que esteve no poder desde 1994, o primeiro-ministro italiano e um dos homens mais ricos da Europa envolveu-se em vários e vários escândalos envolvendo corrupção e prostituição envolvendo, inclusive, menores. Porém, como bem lembrou a imprensa, não foram os escândalos, vários e vários, dignos de derrubar lideres em qualquer país sério do mundo que derrubou o polêmico líder italiano, mas sim a crise pelo qual se encontra o país que no ano passado, segundo o FMI e Banco Mundial, perdeu o posto de sétima economia do mundo para o Brasil ( em termos nominais ) e que será ultrapassada em pouquíssimo espaço de tempo para Rússia e índia. O fato é que a economia italiana está tão enfraquecida em virtude da crise de sua dívida pública ( equivalente à 150% do PIB do país) que o país corre o sério risco de, em um prazo de 10 ou 15 anos, perder aquele nível de importância que o equipara às grandes potências econômicas da Europa ocidental ( Alemanha, França e Reino Unido) para ser reduzida a uma economia mais similar à Espanha que, diga se de passagem, também esta em sério quadro de crise.
Entretanto, não foi só na economia que a Itália saiu seriamente enfraquecida durante a era Berlusconi, os vários escândalos envolvendo o premiê assumiram proporções tão escandalosas que ganharam manchetes no mundo inteiro, por várias e várias vezes, manchando a imagem da política italiana e, terrivelmente, a mácula da era Berlusconi na política italiana, acabou manchando a própria imagem do país que passou a ser visto como uma “nação não séria”.o professor Mangabeira costuma dizer que não existe país mais parecido com o Brasil no mundo como os EUA, eu já acho que é a Itália o país mais parecido com o Brasil no exterior, em termos de burocracia e de corrupção, acho que há muita similaridade entre a Itália e o Brasil, as únicas diferenças encontra-se no fato que eles não são miscigenados e encontram-se em um nível de desenvolvimento mais avançado,ademais, a Itália é o Brasil do primeiro mundo.

DIOGO CAMPOS LEMOS
11/11/2011

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Políticos e economia não se entendem na crise internacional.


Parece que os políticos e a economia não se entendem na mais dramática crise do mundo desenvolvido das ultimas décadas. A exemplo do que ocorreu em agosto nos Estados Unidos, quando o partido republicano protagonizou uma das mais imbecíz chantagens políticas da história dos EUA contra Obama quanto da ameaça de não aprovação do aumento do teto da dívida do país; agora, no outro lado do atlântico, um outro grande protagonistas da atual crise, a Grécia, colocou em ênfase novamente a estupidez política frente à lógica do progresso europeu na superação da crise iniciada lá em 2008. Dessa vez, após um enorme esforço conjunto dos principais lideres europeus, a aceitação de um semi-calote grego a grandes bancos da zona do euro ( em especial franceses e alemães) e um empréstimo volumoso; a Grécia, que no passado viveu um boom de gastos que conduziu ao desequilíbrio das contas públicas do país que afundaram após a crise de 2008, ou seja, a Grécia hoje colhe os frutos da irresponsabilidade fiscal de outrora e que, definitivamente, só não quebrou completamente graças à ajuda da comunidade européia, surpreendeu o mundo com o anuncio de um hipotético referendo que decidiria se o país aceitaria ou não a ajuda da comunidade européia. A idéia de um referendo é tão estúpida que pode ser ilustrada, para termos de comparação, com a seguinte história: Um paciente terminal de câncer no fígado só tem uma saída para sobreviver, o transplante. No ultimo instante surge um doador e em vez de o paciente aceitar de cara o transplante que salvará sua vida, decide colocar o fígado à disposição de outro doente terminal, o que você acha? O segundo paciente terminal teria misericórdia de seu amigo, agradeceria a proposta e não aceitaria ou não pensaria duas vezes e realizaria o transplante e que dane-se seu amigo??. Essa pequena ilustração mostra mais ou menos a situação da Grécia em um ilógico referendo, ou seja, o país, por questões meramente políticas, afundaria em um suicídio econômico tal como ocorreria se os republicanos não aceitassem o aumento do teto da divida dos EUA ( ou será que os gregos votariam a favor de um pacote que custará e muito em seus bolsos?? o pensamento dos gregos em um hipotético referendo seria: já que estamos afundados mesmos, com plano ou sem plano de ajuda, que a Europa afunde com a gente).
A idéia de referendo, de tão absurda que seria, foi oficialmente descartada no final do dia de hoje, graças às pressões dos vizinhos europeus e da própria equipe técnica do governo grego, afinal de contas, sem plano o país correria sério risco de ser expulso da zona do euro, salvando a Europa e afundando a Grécia sozinha. Da mesma forma que ocorreu nos EUA, o bom senso prevaleceu sobre o louco mundo da política, mas nesse quarto ano de crise ficou bem claro que política e economia não se combinam. Felizmente a primeira, até agora, não contaminou a segunda.
Em meio à ilógica da política, eureka!!! prevaleceu o bom senso econômico...


DIOGO CAMPOS LEMOS
03/11/2011

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Ataque isolado de Israel ao Irã não passa de um blefe.


O noticiário internacional desta quarta-feira de finados no Brasil foi marcado pela informação de que Israel teria testado um míssil de longo alcance, com possibilidades de atingir o território iraniano. O fato aumentou as especulações em Israel de que o governo de Benjamin Netanyahu estaria preparando um ataque contra as instalações nucleares do Irã a fim de evitar que esse último consiga produzir um artefato nuclear que poderia ser usado contra o território Israelense. Segundo a imprensa de Israel, o premiê do País estaria planejando a operação junto com o ministro da defesa Ehud Barak e já estaria em negociações para convencer seu gabinete do ataque. O ministro do Interior e integrante do gabinete de segurança do governo israelense, Eli Ishai, revelou que não consegue dormir quando pensa na possibilidade de Israel atacar o Irã, o ministro, de fato, não perderia seu sono se a possibilidade não fosse real. Ainda mais, mesmo diante das consistentes especulações, o governo de Israel não negou a existência de tal plano, o que reforça a tese de que, ou Israel estaria favorecendo essas especulações para forçar a comunidade internacional a adotar novas sanções contra o Irã ou, de fato, Israel estaria com plano de bombardear as instalações nucleares do país persa.
A possibilidade de o mundo presenciar uma guerra de larga escala no Oriente médio, a partir de um conflito no Irã, é real, porém, acredito que a possibilidade de Israel atacar o Irã a curtíssimo prazo é bem distante e o que o governo de Netanyahu estaria propiciando seria criar um clima de tensão entre os dois países a fim de aumentar as pressões mundiais contra o Irã. As idéias de Israel atacar o Irã isoladamente, sem a atuação inicial dos EUA, seria uma tremenda loucura estratégica-militar por várias razões: primeiramente por que o Irã, como qualquer país do mundo com instalações nucleares, mantêm suas estruturas em locais extremamente secretos, muitas vezes subterrâneos, além do que localizados em vários pontos do território. Um ataque de Israel às instalações atômicas do regime de Teerã não afetaria, por essa razão, o efetivo andamento do programa nuclear de ahmadnejad. Outra razão lógica seria o fato de que, o contra-ataque do Irã contra Israel provocaria perdas materiais e humanas muito maiores para Israel, sem contar a grande possibilidade de o conflito evoluir para países vizinhos, com trágicas conseqüências para a região e para o mundo, visto a importância da região no contexto de fornecimento de petróleo.
Confirmando a tese de que as especulações de um ataque de Israel ao Irã não passa de um blefe, é óbvio para qualquer analista do mundo de que os Estados Unidos não permitirão que Teerã desenvolva uma bomba atômica, ou seja, um ataque liderado pelos EUA contra o Irã é apenas uma questão de tempo, considerando-se que o Irã vá até as ultimas conseqüências com o seu programa nuclear. O pentágono já possui, e há muito tempo, um plano para atacar o Irã caso seja necessário, e será no futuro. O presidente Barack Obama, nesse primeiro mandato, focou sua administração na questão econômica e na crise criada pelos republicanos e não estaria disposto a se envolver em uma grande guerra com o Irã no seu primeiro mandato, até por que primeiro é necessário consertar a economia, garantir a reeleição, sair do Iraque ( o que já está acontecendo) e estabilizar o Afeganistão antes de atacar o Irã. Os EUA agirá no Irã apenas quando cessarem todas as possibilidades de sanções possíveis e quando o Irã estiver prestes a desenvolver uma Bomba atômica, o que acontecerá em um futuro não muito distante. Todos os analistas internacionais sabem disso, os de Israel mais ainda, sendo que, para que Israel atacará o Irã nesse momento se seus aliados irão o fazer mais tarde e em melhores condições? De fato, um ataque contra o Irã a curtíssimo prazo não passa de um blefe.

DIOGO CAMPOS LEMOS
02/11/2011

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

O fim do capítulo líbio da primavera árabe.


A morte de muamar Kadafi representa, junto com o fim do regime de hosni Mubarak no Egito, o principal mérito que a primavera árabe (em alusão à primavera de praga de 1967, iniciada na antiga Tchecoslováquia e que se espalhou pelo mundo naquele ano) acarretou para o Oriente médio. No inicio desse ano, quando as manifestações, iniciadas na Tunísia, se espalharam pelo mundo árabe e tiveram o seu boom no Egito; Kadafi, que há 42 anos mandava com mãos de ferro a líbia, apareceu em público com uma fisionomia muito diversa daquela que o mundo se acostumara a assistir de homem vaidoso e arrogante e que, nas conferencias internacionais ganhava sempre destaque com seu comportamento, diria-se assim, desafiador ao ocidente. Parecia que o ditador tinha prazer de causar incômodo nas suas viagens oficiais às grandes potências ocidentais ( quem não se lembra de seu último discurso na assembléia geral da ONU, no mesmo ano em que Hugo Chaves chamou Bush de demônio, causando gargalhadas na sede das nações unidas em NovaYork? inclusive, falando-se em Chaves, Kadafi poderia ser considerado o Chaves do Oriente médio, Não só pelo seu comportamento, mas suas atitudes concretas como mandatário que, em quatro décadas de governo, conduziram o Ocidente a odiar seu regime quando provados o financiamento de seu país ao terrorismo internacional . Entretanto, os últimos discursos de Kadafi, ainda quando dominava o país no inicio desse ano, revelaram um ditador em pânico. Lembro-me, no dia em que Hosni Mubarak renunciou; o Egito que, naquele momento, representava a ditadura mais “tradicional” do mundo árabe, Kadafi fez um discurso público contra os rebeldes líbios com uma fisionomia em pânico, certamente já sentia que era a bola da vez da primavera árabe e que seu sangüento regime estava em grande risco, ficou-se logo confirmado quando as potências ocidentais anunciaram a exclusão aérea para proteger os “civis”.

Diferentemente do bombardeio americano nos anos 1980, em reação aos atentados na escócia, a ditadura líbia de Kadafi não resistiria ao bombardeio da OTAN e a forte pressão dos rebeldes. A morte do ditador líbio no dia de hoje representa um feito histórico da primavera árabe já que, agora, dois dos três maiores ditadores do oriente médio estão fora de cena (Mubarak e Kadafi), porém, resta ainda a ditadura, talvez, a mais sangrenta de todas e que, só nas manifestações desse ano, fora responsável pela morte de 3 mil civis (estimativas de ONGS internacionais de direitos Humanos). O fim do capítulo líbio da primavera árabe pode dar um novo gás ao mundo para que tome medidas mais firmes e concretas com relação ao que ocorre na Síria. Infelizmente, uma mudança de panorama na síria representa muita coisa no tabuleiro geopolítico do oriente médio e uma intervenção internacional como ocorreu na Líbia parece algo ainda muito distante, porém, a morte de Kadafi pode representar um gás novo aos protestos na Síria e, dependendo do andamento da “primavera árabe” na Síria, podemos ter uma grande surpresa e, quem sabe, o mais importante capítulo da primavera árabe.

DIOGO CAMPOS LEMOS
20/10/2011

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

A mais nova crise ministerial de Dilma.


Antonio Palocci,Alfredo Nascimento,Wagner Rossi,Pedro Novais, em suma, já perdi a conta de quantos ministros já caíram do governo por escândalos envolvendo corrupção,superfaturamentos e tráfico de influências envolvendo os ministérios. A esplanada dos ministérios tornaram-se verdadeiro calcanhar de Aquiles da Era Dilma, em um post antigo, comentei essa particularidade do governo de Dilma Rousseff: Enquanto no governo Lula, a base dos escândalos que abalaram o governo eram provenientes, principalmente, da base aliada no congresso, como o mega escândalo do mensalão em 2005, ou então, oriundas do próprio partido dos trabalhadores (PT), como ainda no escândalo do mensalão e do dossiê dos aloprados em 2006, em suma, a corrupção era mais latente “fora da equipe” mais próxima do presidente, em regra.
Dilma não, uma das características de seu governo é que os escândalos nascem em casa, no seu próprio ministério. Nem podemos responsabilizar a presidente já que os esquemas ministeriais de corrupção já estavam ai antes de seu governo, perfazem da era Lula que, diga-se de passagem, foi o responsável por manter no governo as “cabeças” (leia-se, ministros) que, no decorrer de seu governo, construíram as fortes teias dos esquemas nos ministérios. A bola da vez agora é o ministro dos esportes Orlando Silva, graças à denúncia da revista Veja nesse final de semana, descobriu-se um grande esquema de corrupção no ministério coordenador da Copa e Olimpíadas onde o ministro aparece como o verdadeiro coordenador de desvios de dinheiro público do ministérios para Ongs patrocinadas pelo mesmo. Verdadeiramente, a denúncia da Veja não significa a culpa do ministro, caberá à Justiça investigar e desvendar a veracidade ou não das denúncias e punir, porém, graves são as acusações reveladas na Veja e, como estamos no Brasil, infelizmente, esse tipo de denúncia tem tudo acabam se confirmando.
Vamos esperar os próximos capítulos da nova crise ministerial de Dilma e torcer para que a presidenta retome sua faxina contra a corrupção que começou nos ministérios e que foi interrompido graças às pressões da base do governo no congresso, especialmente o maldito PMDB , e o Maquiavel do agreste, Lula.

DIOGO CAMPOS LEMOS
17/10/2011

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Uma análise sobre o quadro atual da economia brasileira.

Nas ultimas semanas, uma parte bem majoritária dos analistas econômicos aqui no Brasil reviram para pior as perspectivas sobre crescimento e inflação no país nesse ano de 2011, com reflexos ainda fortes para o próximo ano. A decisão do BC de reduzir os juros, decisão essa em sentido contrário da “lógica ortodoxa” esperada do comitê do Copom (não entraremos no mérito da intervenção do governo nessa decisão), mudou totalmente os cenários esperados pelo consenso do mercado e hoje o País se encontra em um quadro muito perigoso, que deve ficar reforçado nos próximos meses por fatores que, mais adiante, explanarei, de redução forte do ritmo de crescimento e uma inflação muito acima do centro da meta da política monetária, em suma, o Brasil conseguiu a “proeza” de criar um círculo virtuoso negativo ( desculpem-me pelo estranho termo) de baixo crescimento e uma inflação muito alta. Nesta semana, o FMI divulgou seu relatório trimestral sobre a economia mundial e revelou uma redução da expectativa de crescimento do Brasil nesse ano e no próximo: da ultima previsão de 4,1%, hoje se espera um crescimento de 3,8% em 2011 ( no começo do ano o FMI previa crescimento de 4,5% do PIB em 2011 para o Brasil). O jornalista econômico da rádio CBN e da Globo News, Carlos Alberto Sardenberg, bem comparou o quadro momentâneo do Brasil no contexto da América do sul e de fato o país, pelas previsões do FMI, Cepal e até mesmo consultorias independentes da região, crescerá muito abaixo da média sul-americana ( para o FMI, por exemplo, os 3,8% de crescimento do Brasil em 2011 só será maior do que a Venezuela, ou seja, de todos os países da América do sul, o Brasil terá o segundo pior resultado de crescimento em 2011), por outro lado, se compararmos a inflação, percebe-se que o temos ( leia-se Brasil) mais inflação, mesmo com menos crescimento, em suma, a economia brasileira encontra-se com seus dois principais indicadores fora da curva. Expondo-se uma comparação entre nossa situação com nossos similares emergentes, fica mais gritante o quadro maligno que está a nossa economia: enquanto o Brasil crescerá algo em torno de 3,8% em 2011, a média dos países emergentes é de 6,8%. Para encerrar, a China deve crescer (segundo previsões do FMI) em 2011, algo em torno de 9,6% com uma inflação de 5%, já o Brasil crescerá 3,8% ( bem menos) com uma inflação anualizada acima de 7% ( ou seja, bem maior).
A decisão do BC de reduzir os juros parece-me bastante arriscada, principalmente quando se observa que os efeitos deflacionários da crise mundial sobre a economia Brasileira ainda não aconteceu e, pelo contrário, até agora a curva da inflação está crescendo. Obviamente, a crise internacional com a conseqüente redução da demanda mundial deve sim criar um movimento deflacionário em todo o mundo nos próximos meses, porém, não se conhece o tamanho dessa “queda mundial de preços” e nem quando, efetivamente , esta será sentida nos índices de preços aqui dentro. A decisão do BC, contudo, parece muito mais um “tiro no escuro” do que necessariamente uma decisão “mais acertada”, e nós sabemos que lugar onde não se deveria realizar experimentos é na política de inflação do país ( nem entrarei aqui no mérito de quando nós Brasileiros sofremos com o dragão da inflação no passado, com efeitos, diga-se de passagem, ainda presentes em nossa economia). Acrescentando mais, embora tenhamos uma pressão deflacionária futura vinda de fora, aqui dentro, temos contratados fatores futuros que pressionará os índices de preços, dentre esses fatores, os mais evidentes são: o reajuste do salário mínimo em 1° de janeiro de 2012 (reajuste este de mais de 12%), os preços de serviços indexados à inflação anualizada da economia (escolas, planos de saúde, faculdades, aluguéis, etc...) e , mais recentemente, os preços dos importados que, até pouquíssimo tempo, era uma fator deflacionário e que, agora, com a alta surpreendente do dólar, será mais um fator preocupante de inflação.
O atual cenário muito preocupante da nossa economia deixa claro o quanto esta se encontra desequilibrada, não precisa ser economista para entender o porquê. Em suma, o Brasil não consegue crescer a um ritmo mais forte sem inflação simplesmente por que nós não temos um parque de produção suficiente pelo fato de que, por cerca de 3 décadas, o Brasil praticamente não investiu em sua economia para aumentar seu parque produtivo. Graças à maldita inflação, o Brasil ficou estagnado, nem o governo, nem a iniciativa privada investia na economia. Resultado: não podemos crescer acima de 4,5%,5% ao ano sem pressionar os preços. É verdade também que fatores exógenos ( como, por exemplo, as comodites no mercado internacional ou o câmbio) influenciam na inflação, porém, o fato é que 70% (presume-se) dos fatores que influenciam nos preços são internos. O que o Brasil, de forma efetiva, deve atar como compromisso máximo para o futuro seria, já que não podemos crescer forte sem desequilíbrios hoje, pelo menos condições para que, dentro de um prazo de 4 ou 5 anos termos essa condição. Reduzir juros, apostando em um quadro deflacionário lá fora não passa de um paliativo econômico, o que é preciso são as tão reclamadas reformas estruturais: reforma tributária ( que, simplificando, propensaria um quadro fértil para o empresariado nacional investir), redução gradual da carga tributária ( um Estado para ser bom não precisa ser grande, ao contrário, Estado eficiente é um Estado menor, mais leve), reduzir gastos com a máquina e aumentar gastos com os investimentos públicos ( especialmente em infla-estrutura), exonerar e desburocratizar toda e qualquer forma de empecilho aos investimentos e, por ultimo, aumentar a poupança interna ( para reduzir nossa dependência nas conhecidas contas de transações correntes, o dinheiro do futuro pré-sal, por exemplo, poderia ser um instrumento para tal).
Resumindo, o ufanismo brasileiro criado por Lula, principalmente em seu segundo mandado, criou uma idéia errada de que o Brasil estaria preparado para o sucesso. A atual crise revelou o quanto está errado esse “ufanismo Lulista”, temos muito, mais muito para fazer para efetivamente sermos considerados um país próspero. Até lá, muita água deve correr debaixo da ponte.


Fontes:

http://www.imf.org/external/index.htm

http://www.eclac.cl/

http://www4.bcb.gov.br/pec/GCI/PORT/readout/readout.asp


Autor:

DIOGO CAMPOS LEMOS
21/09/2011

domingo, 21 de agosto de 2011

Unificação com o leste consolidou a estagnação alemã nos anos 1990/2000, agora é a unificação pelo euro que pode comprometer década de ouro do país .

Nessa crise da divida que vem sacudindo a Europa, observa-se bem claramente que as duas principais economias da zona do euro, Alemanha e frança, vem se firmando como os países apaga-incêndios do crash da dívida pública em países como Grécia e Portugal. Os bancos desses países são os principais credores desses governos endividados e no ultimo acordo firmado com a Grécia,por exemplo, onde se ajustou a ajuda dada pelo banco central europeu ao país, os bancos alemães foram os principais prejudicados, já que, ao estenderem os prazos e diminuir os juros cobrados aos gregos, o banco central europeu acabou prejudicando, em grande parte, os credores que irão arcar com os prejuízos desse semi-calote, e os alemães são ,de longe, os principais credores do dívida grega. Na ultima semana, o governo alemão anunciou que no segundo trimestre de 2011 o país praticamente deixou de crescer depois de um período bem virtuoso de crescimento, onde o país registrava uma expansão anualizada do PIB de 4%.
A Alemanha, provavelmente, é o país mais prejudicado nessa “crise da dívida publica” que sacode os países da zona do euro. O país, que após a unificação em outubro de 1990, iniciou o pior ciclo de estagnação econômica desde os anos 1920, com crescimento médio em torno de zero por quase 20 anos, construiu nesse período condições para criar um circulo virtuoso na economia. A situação alemã é muito similar à brasileira que durante os anos 1980 e 1990 viveu um período de grande estagnação em virtude da hiperinflação e que, no decorrer desse período, foi se preparando para deslanchar no inicio desse século. O plano real, a estabilidade fiscal e outros fatores que eu diria como menos voluntários ( como o boom do preço das matérias primas nesse período) fizeram com que o Brasil pudesse crescer em torno de 5% ao ano, algo inimaginável há 10 anos atrás. Com a Alemanha foi algo um pouco parecido, o país viveu um período de grande “paralisia” econômica que se aprofundou com a unificação do país, mas que, durante esse período, os governos do país foi construindo um modelo de desenvolvimento baseado no fortalecimento do parque industrial do país e da consolidação de um quadro virtuoso de suas contas externas, graças a um modelo baseado em exportações. Nesse período a Alemanha perdeu o posto de maior exportadora do planeta para a China, porém, enquanto outras nações do primeiro mundo presenciaram um quadro de deterioração das respectivas balanças comerciais, como os Estados unidos, a Alemanha foi na contra-mão, consolidando sua saúde nas transações comerciais com o resto do mundo.
Logo após a crise de 2008, a economia alemã começou a colher os frutos de sua longa política econômica depois de anos de estagnação, após crescer míseros 1% ao ano no decorrer dos anos 1990 e 2000, em 2010, por exemplo, enquanto o mundo desenvolvido enfrentava ainda uma recessão , o país germânico cresceu mais de 3% e caminhava para crescer uma média anualizada de 4% por um longo período ( níveis inimagináveis para um país desenvolvido), ou seja, a economia alemã, depois de duas décadas perdidas, se preparava para viver uma década de ouro, com crescimento muito forte.Entretanto, a crise da dívida deu um revés a esse circulo virtuoso da economia alemã, o país se tornou a UTI da zona do euro e agora presencia a volta da estagnação. Por tudo isso, penso que a Alemanha é a principal prejudicada com toda essa crise européia, países como Espanha, Grécia e Portugal, por exemplo, vivem hoje uma recessão, mas no passado cresceram a níveis muito fortes baseados em uma expansão irresponsável do déficit publico e agora estão apenas vivendo as conseqüências dessas políticas baseadas em um irresponsável afrouxamento fiscal; já a Alemanha não, o país viveu um período muito difícil de estagnação, porém, continuou respeitando os limites fiscais e agora, no momento que começou a colher os frutos de sua razoável política econômica, volta à estagnação, ou seja, a Alemanha, de certa forma, paga o pacto da irresponsabilidade realizada pelos outros países da zona do euro.

DIOGO CAMPOS LEMOS.
21/08/2011

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Uma análise sobre a mais “nova” crise global.


No dia 15 de setembro de 2008, às vésperas das eleições presidenciais americanas que elegeu Obama presidente, iniciava-se um pesadelo na economia mundial. A crise das hipotecas que já preocupava o mundo no inicio daquele ano revelou uma bolha de crédito na maior economia do mundo (EUA) e com a quebra do tradicionalíssimo banco de investimentos Lheman Brothers o mundo presenciou um pânico nos mercados financeiros nunca antes visto deste a crise do crash de nova York naquele fatídico novembro de 1929. A quebra do Lheman Brothers levou a uma quebra generalizada de instituições financeiras nos EUA e ao fenômeno da “corrida bancária”, obrigando os governos do mundo inteiro a injetar trilhões e trilhões de dólares para evitar a quebra do sistema financeiro internacional. A desregulação do sistema financeiro levou a crise de 2008 e para evitar um apocalipse econômico os governos não tiveram outra escolha a não ser intervir, injetando dinheiro. Foi nesse contexto que surgiu as bases para a mais nova recaída econômica mundial, a crise da dívida, sendo que a crise do “sistema privado” contaminou o sistema público três anos após aquela quebra do Lheman Brothers, sendo que, agora, sabe-se que a crise lá de 2008 não terminou, ou seja, não há de se falar em crise 2008/2009, mas sim na grande crise 2008/2011, ou quem sabe 2008/2012, já que, embora hoje vivamos a crise da dívida ( e não a crise da bolha de crédito de 2008), não é de se negar que as duas crises são inter-relacionadas uma a outra, sendo que, não teríamos a crise da dívida se não tivéssemos aquela crise de setembro de 2008.

Embora tenhamos vivido um “período entre crises”, o fato é que no geral a recuperação mundial se deu de forma muito lenta nesse período, apenas nas nações emergentes vimos uma retomada importante da atividade econômica, já os países centrais ( EUA,Europa e Japão)a retomada ainda se dava de forma muito lenta e a crise da dívida agora tem tudo para mergulhar essas nações novamente para a recessão a curto prazo e um longo período de crescimento econômico muito lento, como ocorreu com o Japão nos anos 1990, por exemplo. Os países emergentes, novos impulsionadores da economia global, também devem sofrer o impacto dessa crise já que os fluxos de investimentos deve se reduzir e mesmo diminuir em termos relativos para essas nações, já que investidores buscaram cobrir rombos nas nações centrais. Por outro lado os mercados de comodites, obedecendo a curva do desaquecimento global e das poucas perspectivas, deve apresentar um período de “retração de seus altíssimos preços”, o que prejudicaria, em especial, o Brasil e outras nações fortemente exportadoras de comodites como a Austrália, argentina, Chile e Rússia. Com o enfraquecimento do mercado de comodites (que impulsionou a retomada da economia brasileira na ultima década), poderíamos viver uma diminuição do saldo de nossas balanças comerciais que, combinadas com um cambio ainda depreciado e uma diminuição do fluxo de investimentos para cá, certamente levaria a um período sombrio para nossas contas de transações correntes que já não é lá essas coisas.

A demora do congresso americano em aprovar o plano de aumento do teto da dívida do país parece ter o mesmo simbolismo para a atual crise mundial quando foi a quebra do Lheman Brothers para a crise de 2008, em suma, a crise da dívida que estava restrita à zona do euro, agora está alastrada já que foi a demora provocada pelo tea party no congresso que levou a agencia de classificação de risco mais importante do mundo,a stand & pools, a reduzir pela primeira vez na história o grau da dívida dos EUA , como bem disse hoje o presidente Barack Obama. Como se pode ver hoje, o fato do rebaixamento do grau da dívida americana pela S&P, pouco mudará o quadro dos fluxos de investimentos já que, mesmo com o grau reduzido, os títulos da dívida americana foram os papeis mais procuradores pelos investidores nessa segunda-feira, ou seja, em épocas de incertezas, os investidores, para fugir dos riscos, continuam a correr para os títulos da dívida do tesouro americano. A crise da dívida americana, então, diferentemente da crise da dívida da zona do euro, tem muito mais de pânico do que efetivamente de concreto para provocar todo esse pessimismo visto nas bolsas mundiais nessa segunda-feira. O problema maior dos EUA é o plano de austeridade para reduzir o déficit da dívida do país que aprofundará o quadro de estagnação da economia do país no curto prazo, ou seja, os Estados Unidos tem tudo para ter uma economia patinando nos anos 2010 como patinou a economia japonesa ou alemã nos anos 1990 e esse quadro mais “maligno” que deverá ser o centro das preocupações da América, ademais, quanto a um possível desgaste apocalíptico dos papéis do tesouro americano, tudo não passa de pânico e os títulos do tesouro dos EUA continuaram sendo, pelo menos a curto-médio prazo, a fortaleza máxima dos investidores em épocas de incertezas.

Já a questão da zona do euro parece muito mais grave já que, a crise da dívida que começou lá na Irlanda em 2009, agora se estendeu a Portugal e de forma mais dramática na Grécia e parece que contaminará também Espanha e Itália, duas economias enormes dentro da união européia. O quadro da zona do euro é muito mais endêmica e preocupante para a recuperação econômica mundial do que a crise da dívida dos EUA (que é só pânico). Quando explodiu a crise de 2008, o que se viu foi que algumas economias da zona do euro não estavam preparadas em virtude da própria política de afrouxamento fiscal que essas nações construíram na época de ouro de 2002 à 2008. Quando a crise explodiu, essas nações viram-se forçadas a aumentar ainda mais o déficit público para evitar o apocalipse de 2008 e com isso explodiu a crise da dívida, primeiro na Irlanda, depois em Portugal e mais recentemente na Grécia. Nesse ultimo caso a situação se desenvolveu de forma ainda mais dramática em virtude das maquiagens contábeis que escondia a real dimensão do déficit publico Grego e quando se revelou o tamanho do buraco, iniciou-se o pânico ( uma nova fase da crise das dividas publicas) e o governo se viu obrigado a adotar uma política de extrema austeridade para receber o resgate da união européia e como conseqüência presenciamos aquelas revoltas da população grega que no final das contas, foi a que pagou a conta.
Só que a Grécia é um país pequeno, tem uma economia similar ao dos estados do sul do Brasil, por exemplo. Agora a Espanha e a Itália não, ambas são economias centrais ( a Itália é a oitava economia do mundo e a Espanha entre as 12) e um aprofundamento do quadro do déficit das contas publicas nesses países teria um resultado catastrófico para a zona do euro que já vive sua maior crise desde sua fundação em 1999 e que poderia está em seus momentos finais. E pensar que tudo isso começou lá em 2008 quando Bush 2 deixou quebrar o Lheman Brothers !!!

DIOGO CAMPOS LEMOS
08/08/2011

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Com indicações de Lula, Dilma precisa nem de oposição.


Mais um ministro da presidenta Dilma Rousseff caiu. Pois é, parece noticia velha, porém, a demissão do Ministro da defesa na noite dessa quinta-feira reflete um quadro muito problemático do quadro ministerial de Dilma já que até agora, todas as crises de seu curto governo tiveram origens nos gabinetes dos ministérios, ou seja, diferentemente do governo passado onde as crises políticas tinham origens no congresso, como o mensalão de 2005, ou no PT e partidos aliados, como foi o caso dos aloprados e muito mais, no caso específico do governo Dilma, os ministérios tem sido a fonte das instabilidades que abalaram seu governo até agora. Um exemplo que ficou bastante em evidência para a mídia e a opinião publica nos últimos dias foi a crise na pasta do transporte, onde uma enxurrada de irregularidades, engrenada pela máquina do PR que na era Lula se apropriou do ministério e, nas omissões do governo passado, transformou essa pasta tão fundamental para o país em uma verdadeira casa de corrupção,nessa ocasião, o ministro dos transportes, Alfredo nascimento acabou caindo, levando consigo uma leva de diretores de estatais importantes da área, como a DNIT e a VALEC (estatal que cuida das ferrovias). Outro exemplo foi a crise do ministério das relações institucionais que teve seu ápice com a demissão de Luiz Sergio, que acabou indo para a pasta da pesca ( tudo a ver,da pasta que coordena a pancada do governo no congresso para a pasta da pesca ...!!!???), nesse tempo também teve a queda daquele que poderia ser o principal ministro da era Dilma, Antonio Palocci, que caiu da casa civil depois de escândalos envolvendo o aumento mágico do patrimônio de suas empresas de consultoria nos anos que esteve fora do governo.
Em suma, até agora o que está dando mais dor de cabeça para Dilma no inicio de seu governo não é a oposição tucana e democrata mas sim as crias de sua própria casa e as coincidências não param por ai, por incrível que pareça, todos os ministros de Dilma que caíram até agora, todos, absolutamente todos foram indicações do ex-presidente Lula que ao eleger Dilma no ano passado, acabou “nomeando” parte considerável do primeiro ministério de Dilma e é essa “parte podre” que a presidenta está tendo que decepar do governo para evitar desgastes maiores. Nesse jogo político, Dilma se posicionou de uma forma não muito adequada visto que já poderia ter feito uma reforma ministerial (o que é comum em qualquer canto civilizado do mundo), menos dolorosa e que no final não abalaria de forma tão forte seu governo. Em vez disso, os ministros da “parte podre” vão caindo um a um, causando a cada queda, um desgaste, no meu ponto de vista, desnecessário para o governo.
Parece contraditório mas, até agora, o presidente Lula, aquele que foi o criador de Dilma lá em 2010 e que a elegeu presidenta quando todos previam uma volta tucana com Serra, agora surge como um” Karma do capeta” ( só para descontrair) que até agora foi a fonte de todas as instabilidades do governo que ajudou a eleger. A queda dos ministros é um exemplo, porém poderia citar a questão do descontrole da inflação, a necessidade urgente de corte dos gastos do governo verificada no inicio desse ano, os atrasos das obras da copa, etc,etc,etc...
Como todo “karma” é transitório, espero que o de Lula no governo Dilma passe logo, mas até lá, teremos ainda muitos capítulos dessa novela. Só para concluir, é obvio que até agora as indicações de Lula estão em evidencia até por causa das quedas, porém, o pior de todas as indicações não foi de Lula, mas sim do velho Sarney, o Dick Janey brasileiro, que indicou um senhor quase 100 anos, envolvido em várias maracutaias, para o ministério do turismo. No futuro não muito distante esse será o próximo da lista da “parte podre ministerial” a cair.

DIOGO CAMPOS LEMOS
04/08/2011

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Os Republicanos Passaram do Limite.


Uma grande apreensão vem tomando conta dos chamados meios econômicos e não é a toa, está nas mãos dos parlamentares republicanos a decisão que pode mergulhar ( ou não) o mundo na maior catástrofe econômica de toda a história do capitalismo. É assim o cenário que se vislumbra se o congresso dos Estados Unidos não aprovar o aumento do teto da dívida do país que é considerado o porto seguro de toda a estrutura econômico-financeira global. De todos os cenários catastróficos que se possa imaginar, certamente, a hipótese de calote dos EUA em seus credores seria o pior de todos, nunca se imaginou tal cenário que por si só provocaria uma crise mundial tão sem precedentes que deixaria a quebra do Lheman Brothers naquele fatídico setembro de 2008 no chinelo em termos de estragos na economia global.
Até o dia 2 de agosto o mundo inteiro ficará na expectativa alimentada pelos insensatos lideres do partido republicano. Diga-se de passagem, o partido que mergulhou a América nessa crise durante a administração Bush, nunca se mostrou tão radical em toda sua história, ou seja, nunca a oposição nos EUA foi tão radical e feloz como no governo Obama e isso tem sua explicação: O presidente Obama, que é certamente o maior fenômeno na política americana deste Kenneth nos anos 1960, tem se mostrado como um brilhante líder propiciador de mudanças importantes no país, o que vem incomodado demais a ala conservadora dos republicanos, um exemplo é a reforma do sistema de Saúde que levará a universalização da Saúde nos EUA que antes era tocado pelos próprios americanos e onde não havia cobertura aos mais pobres. O Presidente Obama foi eleito e representa a camada mais progressista do partido democrata que ganhou poder graças à insatisfação nacional da era Bush.O governo Obama representa isso, o que há de mais progressista na América e o empenho de Obama para transformar o País a partir de um modelo mais progressista, sua popularidade ( não podemos nos esquecer que Obama é o primeiro político-estrela da pós-modernidade), a captura e morte de Bin Laden, seu Nobel da paz, em suma, o sucesso de Obama provocou nesse tempo a ira da ala mais conservadora dos republicanos.

Durante a era Bush, ficou provado que existe realmente no partido republicano um movimento mais conservador de extrema direita, ou seja, embora o partido já represente a camada mais conservadora da sociedade americana, dentro do partido existem aqueles ainda mais conservadores( Dick Janey,Sarah Palin e John maccain representam essa ala) e foi esse grupo que se fortaleceu durante os anos Obama e é essa corrente que, agora, quer fazer de tudo para prejudicar o presidente americano vista as eleições de 2 de novembro de 2012. Esse grupo mais conservador poderia sabotar o próprio país para prejudicar Obama, não tenham dúvida disso,porém, a hipótese de deixar o país mergulhar em uma catástrofe econômica ao não aprovar o aumento do teto da dívida no País é uma idéia tão absurda, mais tão absurda, que se conclui que no final o próprio partido Republicano acertará um acordo já que não querem ser responsabilizados por uma catástrofe. O que me preocupa é que, prevalecendo a loucura dos doentes do partido republicano, Obama seja forçado a usar um artifício que lhe é atribuído pela quarta emenda que prevê a possibilidade de o presidente aumentar o limite da dívida sem aval do congresso do país, ou seja, ocorrendo o pior dos cenários Obama ficaria forçado, para evitar a quebra do país, a atropelar o congresso. Isso causaria uma guerra sem precedentes entre os dois partidos.
O que fica revelado nessa disputa é a insensatez do partido de Bush. Hoje, o FMI divulgou um comunicado alertando sobre os riscos para a economia global se os EUA não aprovarem o aumento do teto da dívida. Até a decisão do congresso americano o mundo ficará na expectativa já que o que está em jogo não é os EUA já que no pior dos cenários o mundo inteiro viveria, e o Brasil junto, uma depressão nunca antes vista na face do capitalismo.

DIOGO CAMPOS LEMOS
25/07/2011

sábado, 23 de julho de 2011

E quando o terror vem do próprio Ocidente?

Os atentados terroristas dessa sexta-feira em Oslo na Noruega, pelo que tudo indica, não tem nada a ver com o terrorismo perpetrado em massa por fundamentalistas islâmicos pós 11 de setembro de 2001. O terror, dessa vez, é doméstico e suas motivações estão inerentes ao fundamentalismo de cá, ou seja, o terrorismo ocidental que a muito parecia extinto desde aquele atentado em Oklahoma nos EUA em abril de 1995. Aliás, as semelhanças entre aquele atentado em Oklahoma e o de ontem em Oslo parece não parar por ai, naquele ataque, embora até hoje suas motivações ainda seja alvo de muitas controversas, é apontada como um atentado motivado por interesses de direita de um Jovem ( não me lembro agora seu nome) e até hoje os grupos de extrema direita dos EUA lembram aquela tragédia como uma obra desses grupos. Enfim, agora o muno vive uma nova Oklahoma chamada Oslo, na Noruega e os ataques que até agora deixaram mais de 90 mortos revela o preocupante clima em algumas nações Européias nesses tempos de crise que se alastra o continente. São exatamente nesses períodos de crise que ganham força correntes radicais de extrema direita ( lembram das circunstâncias que levaram a ascensão de regimes totalitários na Europa nos anos 1930?).

Uma das principais preocupações da Europa hoje é a Xenofobia, em algumas nações, como a Espanha, esse sentimento de aversão aos estrangeiros ganha força à medida que a economia do país afunda na sua maior crise em décadas. E é nesse clima que aumenta o ódio da direita mais radical e os atentados em Oslo são o exemplo mais trágico dessa onda que sacode o continente Europeu pós-crise e o mundo deve se preocupar sim que alguns desses doentes, aproveitando-se dessa crise, ganhe força política em algumas nações. A xenofobia e a ideologia da extrema direita deve ser tratada com muita seriedade que o terror em Oslo pode ascender essa discussão; recentemente acompanhei em uma reportagem que na Alemanha, todos os anos, milhares de alemães realizam uma caminhada neo-nazista ( lá não é proibida) até o túmulo de Rudolf Hess para homenagear, no aniversário de sua morte, a ideologia de Adolf Hitler e o número de participantes da passeata aumenta a cada ano. Nos EUA, uma agência do governo americano, a Southern Poverty Law Center, revelou que no País, o número de nacionalistas de extrema direita saltou de 149 grupos em 2008 para 512 no ano passado ( dois anos após a crise). em suma, os ataques últimos em Oslo deve servir pelo menos como exemplo para que o mundo saiba que a ameaça do terror não está só entre radicas islâmicos, afinal, idiotas e doentes existem em todo o lugar, inclusive no próprio ocidente com esses imbecis que agiram em Oslo e que agem em vários países professando uma ideologia de ódio que não pode caber em nosso tempo e se espera que as agências de inteligência e os governos em conjunto trabalhem para esmagar de vez esses radicais do ocidente e paralelamente a sociedade Ocidental não pode dar espaço a esse tipo de gente. Será que o Holocausto os milhões de mortos no passado não serviu em nada para conscientizar a humanidade?

DIOGO CAMPOS LEMOS
23/07/2011

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Republicanos põe interesses da América em segundo plano para prejudicar Obama

Nessa crise que se formou em torno do aumento do teto da dívida pública dos Estados Unidos, algo ficou ainda muito mais claro sobre a índole obscura do partido republicano, ou seja, aquele mesmo que na era Bush mergulhou o país em duas guerras que duram até hoje e que custou a vida de milhares de soldados americanos e civis no Afeganistão e no Iraque além de trilhões de dólares dos custos das “empreitadas ]” contra o terror. O mesmo partido que desestabilizou o oriente médio, incendiou o ódio de fundamentalistas contra o ocidente e que mergulhou a América na sua maior crise econômica desde 1929 agora querem sabotar a administração Obama indo contra todos os interesses da nação, pois é, esse é o escrúpulo do partido do atraso da América. Como muito bem comparou Arnaldo jabour, os republicanos são uma espécie de PMDB ianque que representa toda corrente mais conservadora do atraso da nação. Aqui, o partido de Sarney, Renan e companhia representa o que há de mais podre da política brasileira, ou seja, nepotismo, fisiologismos, coronelismo e por ai vai.

Já na América, os republicanos representam a parte mais obscura do país, ou seja, os ultra-conservadores da direita que acham que o Estado não deve intervir na economia, não deve seguir um modelo de bem estar social à moda européia ( é isso mesmo, os republicanos são totalmente contra a idéia de o Estado investir no bem estar dos mais pobres, como na instituição de um sistema único de saúde no país ), o Estado não deve ajudar os mais pobres, etc... em suma, enquanto os democratas representam a América progressista, moderna, racional, os republicanos representam o atraso, a ignorância (ignorância essa que defende a idéia de ensinar nas escolas que o homem surgiu de adão e Eva há 6 mil anos atrás, como bem lembrou Arnaldo Jabour ), o imperialismo ianque, o racismo, o neoliberalismo irracional e etc... é só vermos a história, os democratas se formaram lá nos Estados do norte no século 19 enquanto os republicanos se formaram das alas mais atrasadas e e segregacionais dos estados do Sul onde até os anos 1960 negros não podiam se misturar com os brancos.

A grande diferença entre os republicanos e o PMDB é que aqui as forças do atraso são mais atrasadas e os caciques são Sarney, Renan e outros. Já lá, temos forças do atraso mais sofisticadas e os caciques, em vez de Sarney ou Renan, são Bush, Dick Chaney, Sarah Palin. Agora, depois de ter entregado a Obama uma América destroçada, agora querem sabotar o próprio país ao ameaçarem quebrar o governo e o mundo não aprovando o aumento do teto da dívida dos EUA. É um absurdo, os próprios republicanos criaram a crise e ainda sabota o governo democrata que quer solucionar a crise criada lá em 2008 pelos republicanos ao permitirem as bolhas do mercado que explodiram com a quebra do Lheman Brothers e as guerras que mergulharam o país no pior buraco deste o Vietnã.
Pois é, certamente os republicanos, no fim, acabaram por aceitar o acordo no congresso e cedendo, mas até lá, continuaram na loucura insana de tirar o máximo de proveito desse pesadelo americano que eles próprios criaram.

DIOGO CAMPOS LEMOS
22/07/2011